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terça-feira, 10 de novembro de 2009

18 de Outubro - Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

A Rede Europeia Anti-Pobreza está a promover um ciclo de palestras que marcam as comemorações do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. O Auditório dos Serviços Comuns do Instituto Politécnico de Beja recebeu no passado dia 20 de Outubro, uma sessão subordinada ao tema “Pobreza e Comunidades Ciganas”.
O ano de 2010 já foi proclamado como o Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social. A Rede Europeia Anti-Pobreza pretende, com estas acções, transmitir que “é urgente encarar tal tarefa como uma responsabilidade de todos”.
Através deste ciclo de palestras, a REAPN defende a definição de uma nova “estratégia social”, com base num conjunto de princípios. “O acesso efectivo aos direitos e dignidade para todos”, “uma economia ao serviço das pessoas e do interesse público”, “a mobilização de todas as políticas para o objectivo de combate à pobreza”, "a mobilização e a participação de todos”, “a solidariedade entre as diferentes acções de luta contra a pobreza e a exclusão social no mundo e na Europa” são as bases da “nova cultura” defendida pela Rede Europeia Anti-Pobreza.

fonte: TV Alentejo

A Rede Europeia Anti Pobreza / Portugal - REAPN representa em Portugal a European Anti Poverty Network (EAPN), desde a sua fundação, em 1990. A EAPN é uma associação sem fins lucrativos (ASBL), sediada em Bruxelas, estando representada em cada um dos Estado - Membro da U.E. por Redes Nacionais. É reconhecida como Associação de Solidariedade Social, de âmbito nacional, tendo sido constituída notoriamente a 17 de Dezembro de 1991.

A missão da REAPN é defender os direitos humanos fundamentais e garantir que todos tenham as condições necessárias ao exercício da cidadania e a uma vida digna, promovendo a luta contra a pobreza e a exclusão social, o trabalho em rede e o envolvimento de toda a sociedade civil.

O Núcleo Distrital de Beja da Rede Europeia Anti-Pobreza/ Portugal iniciou a sua actividade em 2002, com a finalidade de congregar um conjunto de instituições de solidariedade social do distrito, e desenvolver conjuntamente estratégias de intervenção social, com vista a erradicar/ atenuar a pobreza e a exclusão social. E-mail: n.beja@reapn.org

Novos pobres: Desemprego obriga pessoas a recorrer à ajuda de instituições pela primeira vez

Alguns chegam como voluntários, de coração aberto e estômago vazio. Vêm para ajudar, mas, vencido o silêncio envergonhado, confessam que também eles precisam de ajuda. São os novos pobres. Despojados das estratégias que os utentes tradicionais das instituições aprenderam a dominar, os novos pobres aguardam a melhor altura para pedir ajuda. "Aparecem cada vez com mais frequência", constata Susete Santos, do Gabinete de Apoio Social do Centro Porta Amiga da Assistência Médica Internacional, no Porto. "E nós temos de estar cada vez mais atentos. Agora, temos de estar atentos até aos voluntários", explicou ao JN. Entram pela porta que julgam envergonhá-los menos, a eles que nunca tiveram por que pedir ajuda. "São pessoas que nunca recorreram à Segurança Social, nunca tiveram institucionalizadas e que têm um grande desconhecimento da forma como as coisas se processam", descreve a técnica da AMI. Fazem parte de uma pobreza encoberta que grassa silenciosa pelas ruas das cidades e que preocupa Susete Santos. A que se passa entre as quatro paredes de casa, escondida na vergonha de quem deixou de conseguir ganhar para viver a vida como dantes.

O desemprego está na base da maioria das situações de carência que chegam às instituições. "Era bom que todas as novas situações chegassem até nós, mas acredito que há muito mais", calcula a socióloga da AMI Porto. Números da Assistência Médica Internacional (AMI) indicam uma subida de 10% no número de casos que chegaram aos centros Porta Amiga, nos primeiros seis meses deste ano. "Estes valores demonstram uma nítida tendência para um crescente número de casos de pobreza persistente. A grande maioria destas pessoas encontra-se em plena idade activa, entre os 21 e os 59 anos de idade", explica a AMI.

No total, 5201 pessoas procuraram apoio social da organização, 80% das quais desempregadas. Um número que se aproxima dramaticamente do total atingido em anos anteriores. Destas, quase duas mil recorreram à ajuda pela primeira vez, o que indica a existência de cada vez mais casos de nova pobreza. A propósito do Dia Internacional para Erradicação da Pobreza, republicaram-se as estatísticas que atestam o que as instituições percepcionam em parcelas dramáticas de pobreza, estrutural ou adquirida.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística relativos ao desemprego, no segundo trimestre havia 507,7 mil portugueses que tinham perdido o trabalho. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico estima que, no final do próximo ano, sejam 650 mil, mais 210 mil do que em 2007.


O problema das minorias étnicas, nomeadamente os Ciganos, tem dado que falar nos últimos tempos. Há quem defenda a criação de condições para os mesmos com a consequente responsabilização pelos "bens" adquiridos. Qual será a melhor forma de solucionar esta questão?

A promoção e criação de emprego são fundamental para combater esta nova pobreza. De que forma pode o nosso concelho criar mais condições de empregabilidade, fundamentalmente para os jovens recém formados? Na tua opinião, em que áreas se pode e deve apostar? Por exemplo, se quisesses iniciar a tua vida profissional que condições gostavas que te proporcionassem ou até mesmo oferecessem? Um espaço gratuito para colocares em prática a tua actividade?

E os apoios sociais? Enquadram-se nas características da população do nosso concelho ( existe um estudo que a caracterize em termos económico-sociais? )? Devem ser dados a todos, sem excepções?

Diz-nos o que pensas acerca destas questões.